Na década de 90, o esquema 3-5-2 veio como uma avalanche para o futebol brasileiro. O 4-4-2 ainda era o mais utilizado, mas os "mudernos" já iniciavam os ajustes com três zagueiros.Naquela época, o terceiro zagueiro ainda era chamado de líbero, pois ao estilo europeu, seria um defensor com velocidade para cobrir os outros dois zagueiros e com habilidade para sair jogando e/ou aparecer como elemento surpresa na frente.
No final da décade de 90, passou-se a utilizar o terceiro zagueiro como um homem de dupla função. Ao se defender, este homem se posiciona entre os zagueiros, com a bola, se transforma em um primeiro volante.
Atualmente, os três zagueiros trabalham em outro diapasão, com os zagueiros cobrindo os laterais que passaram, definitivamente, para o meio campo. Ao contrário do 4-4-2 quando o volante cobre o lateral, no 3-5-2 um dos três zagueiros cobre o ala e o volante entra por dentro completando a zaga.
Na série B, o exemplo clássico de 4-4-2 é o Guarani, com o meio formado por três volantes. Quando tinha Rodriguinho ficava espetacular, porque o ideal é que pelo menos um volante tenha condição de apoiar, criar e servir o ataque. Outro exemplo ilustre é Robston no Atlético.
Claro, há os times, e estes são os melhores, que estão preparados para jogar tanto no 4-4-2, quanto no 3-5-2. O Ceará, por exemplo, joga no 4-4-2, com três volantes (Heleno, Michel e João Marcos) e Geraldo no meio, igual o Guarani. Mas toda vêz que entra Jorge Henrique no lugar do lateral Fábio Vidal, Heleno vai para a função de terceiro zagueiro e soltam-se os laterais. Foi assim contra o Abc no segundo tempo e por isso que Arlindo Maracanã apareceu na frente, livre para fazer o terceiro gol.
Agora a nova moda entre os treinadores, inclusive na Série B, é o 3-6-1. Onde você mantém os três zagueiros, trabalha com dois volantes, dois meias e apenas um atacante.
O Figueirense passou a jogar assim com Márcio Araújo. Ele colocou Diego Paulista -volante - e mais um meia, Maicon. O Fortaleza jogou assim, ontem no segundo tempo. Para este esquema funcionar é preciso meias rápidos e alas com força de ataque. O Fortaleza matou o Figueirense porque anulou Fernandes e Lucas que deveriam enconstar e municiar Schewk. Já o Fortaleza tinha Elton e Rogerinho, os tais meias rápidos.
O Vasco fica forte no 3-6-1, principalmente quando todos os titulares estão a disposição. Com Carlos Alberto e Alex Teixeira flutuando o time fica solto e difícil de marcar.
Eu particularmente tenho como opção preferencial dois zagueiros e três volantes, para marcar mais adiantado e ganhar o meio campo. Os volantes tem que ter qualidade (brucutus são coisas do passado, enterram o time). Pode se soltar uma lateral de cada vêz (estilo de Wanderley Paiva da Ponte) ou um volante entrar por dentro cobrindo a zaga (como Leandro Carvalho no Atlético).
Dois meias rápidos, podendo ser um segundo atacante rápido, como Danilo Neco da Ponte, Fabinho do Guarani ou Juninho do Atlético. A função é praticamente a mesma, flutuar nos espaços vazios e, com velocidade, criar para o atacante. Aí duas opções, um fixo de área que faça bem o pivo (Luis Carlos do Fortaleza) ou um rápido para o contra ataque (Rafael Coelho do Figueirense). Melhor ainda se for tudo isso e com qualidade (Mota do Ceará).
Pronto, me empolguei e escreví um livro. O assunto é apaixonante.
domingo, 11 de outubro de 2009
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Sem dúvida Wilson, é um assunto muito apaixonante. Lembro do final da década de 80 e começo de 90, havia dois líberos de grande destaque na Europa, o Franco Baresi, com seus 1,76m, que desempenhava como um autêntico líbero moderno, e o Ronald Koeman, um líbero artilheiro.
ResponderExcluirIsso fez o Lazaroni copiar o estilo europeu de jogar na seleção de 89, campeão da Copa América. Lembro na época, era muito difícil fazer os atletas se adaptar a esse termo novo líbero e alas. O atleta brasileiro era mal acostumado a jogar taticamente ao time.
Um dos primeiros 3-5-2 perfeito que vi funcionar de forma perfeita no Brasil, foi o do Mogi-Mirim do técnico Vadão, lembro que exigia zagueiros leves e flexíveis para a cobertura dos laterais.
A Mudança tática da forma do Brasil atuar, primeiro combatendo o adversário a criar jogadas, com Dunga e Mauro Silva como volantes brucutus, na copa de 94, é que trouxe a volta de títulos e resultados mais efetivos ao Brasil.
Entende-se que taticamente, hoje, o primordial é anular o jogo do adversário, ganhando espaço do território inimigo, depois partir para o ataque. As variações táticas dos times, me 4-4-2, 3-6-1, são como jogo de xadrez, dificultar a marcação adversária, ganhar território inimigo e anular as principais jogadas do adversário. Vejo que a formação tática ideal, depende muito da qualidade das peças disponível no elenco. Mas essas variações são muitos boas, pois o atleta brasileiro já se acostumou a jogar taticamente, como o talento do jogador brasileiro, estamos sempre em boas condições na disputa de campeonatos. O condicionamento físico não deve de ser falado, é necessário sempre mesclar juventude para dar fôlego ao time. Times acostumados com altitude sempre obtem grande vantagens em times acostumados a baixa altitude. Assim como um time com idade altamente elevada com o Brasil na copa de 2006, principalmente em setores estratégicos que requer mobilidade, prejudicam o dinamismo do time. Daí a parte tática de um time, para funcionar perfeitamente, depende de um bom condicionamento físico.
Atletas dinamicos e modernos nos esquemas táticos conseguem sempre ganhar mais destaque nos times que atuam. Esses são as principais peças num esquema tático de um time
Tonhão, do que você disse quero destacar dois aspectos.
ResponderExcluirO primeiro é a utilização de esquemas de acordo com as peças disponíveis. Isto é correto. O treinador deve utilizar dos recursos que tem, sem querer forçar estilos que seus jogadores não conseguem.
Por outro lado, na hora de formar o time é que a diretoria precisa entender do assunto, para junto com o treinador procurar as peças que se encaixam no sistema pretendido. Daí, penso, que a principal motivação para se contratar um treinador é gostar do perfil e do trabalho que ele faz.
Geralmente o se faz é contratar por disponibilidade, histórico e valor do salário.
Outro aspecto é a preparação física. Isto é fundamental. Na formação do time é necessário levar em conta, idade, altura, força física. Eu resumo com a palavra saúde. Sem saúde time nenhum prospera.
Voltaresmo ao assunto, obrigado por participar.