sexta-feira, 24 de julho de 2009

Respondendo ao leitor George

George seu comentário, como os demais, solidifica este blog como um espaço para debates de alto nível. Assim o blog cumpre o que eu desejava de início, falar de futebol com inteligência.

Realmente, as parcerias com empresários e investidores em geral se tornaram constantes no nosso futebol. Na Série B temos o exemplo do Paraná com a L.A. Sports (veja o post de 12 de maio), o Figueirense com o empresário Eduardo Uram, a Portuguesa com os investidores da colônia lusa e outras menos explicitas.

Não critíco as parcerias. Critíco a promiscuidade.

O exemplo do Campinense é de uma administração loteada pelos empresários. E há outros casos pela Série B afora onde os "investidores", pela fragilidade financeira (como bem você lembrou) dos clubes acabam assumindo posições e ingerências que levam os times a nao mais representar seus próprios interesses.

Hoje há times que são confederações de empresários e disputam os campeonatos apenas em busca da vitrine para expor os atletas. Caso típico do Duque de Caxias e se conhecessemos a fundo todos os times, teriamos outros exemplos para citar.

Vejam o Vila Nova, onde hoje o assunto mais discutido é que o Diretor de Futebol do Clube, o ex-árbitro Ilton José da Costa é cadastrado como Agente Fifa e seria procurador da principal promessa do time, o atacante Gil.

Times assim não prosperam na competição porque não é esse o interesse principal dos seus 'mantenedores".

Caminham em boa direção os clubes que conseguem manter o interesse da comunidade como o norte a ser seguido (vitórias, títulos, acessos) mesmo fazendo as necessárias parcerias.

Concordo com você que há de se mudar certos marcos regulatórios para que os clubes possam ter controle maior sobre suas finanças. Atualizar a Lei Pelé seria o passo mais importante. Outro, que você bem lembra seria dar um sentido meritório à distribuição das verbas de TV.

Enfim nosso futebol está na transição dos clube para empresa e neste momento os clubes são alvos fáceis dos interesses privados.

Todos ganham, atletas, profissionais, empresários e toda forma de atravessadores, empresas de comunicação, patrocinadores, piratarias, etc.. e os clubes vivem das glórias efêmeras. Tudo em volta dos clubes floresce, menos o próprio clube.

2 comentários:

  1. Muito boa a análise, Wilson.

    Como você deve saber, aqui em Goiânia sempre se falou que o Goiás nunca venceu títulos nacionais na elite por causa desse tipo de administração que prioriza a "vitrine de jogadores", e não o florescimento do clube. E é o clube mais rico do Centro-Oeste, com um patrimônio invejável (só aquela sede da Av. 85 é uma coisa monstruosa, numa das regiões mais caras da cidade).

    Como você, que já trabalhou aqui em Goiânia, vê a história do Goiás como o nosso representante na elite do futebol brasileiro? Ela é realmente marcada por um maior interesse no comércio do futebol do que nas glórias do clube?

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  2. Não acho não. Vejo o Goiás como um time que ainda prioriza os interesses do clube em relação aos interesses privados.

    O Goiás se acomodou em estar na Série A e sempre teve uma gestão conservadora. Nunca ousou e correu riscos.

    Talvez, Rodrigo, se o seu Atlético chegar a Série A, o Goiás mude o comportamento e resolva arriscar mais já que terá um concorrente a altura.

    Um abraço, Wilson

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